A sucção é uma necessidade fisiológica no 1º ano de vida: promove a liberação de endorfinas e a modulação da dor, do humor e da ansiedade, além de possibilitar uma sensação de prazer e bem-estar no bebê.
A melhor forma de sucção é a natural, realizada na amamentação. Os movimentos que o bebê faz com a boca e com a língua no seio da mãe para conseguir sugar o leite fortalecem os músculos da mastigação e a língua, e favorecem o desenvolvimento correto das arcadas dentárias, possibilitando que a arcada inferior não fique retraída, criando espaço suficiente para os dentes que vão nascer e facilitando a posição correta deles.
Isso tudo colabora no desenvolvimento de uma respiração normal pelo nariz.

Fonte da imagem: arquivo próprio.
A sucção artificial, ou seja, aquela realizada em bicos de mamadeiras e chupetas, pelo contrário, fortalece mais os músculos da bochecha do que os da língua e os da mastigação, favorece que a língua fique hipotônica (fraca) e sensível (com reflexo de vômito exagerado). Favorece a retração da arcada inferior, palato (“céu da boca”) alto e má oclusão dental (encaixe inadequado dos dentes na mordida).
Esse quadro colabora com a respiração bucal. A respiração bucal pode trazer consigo outras consequências para a saúde da criança: diminuição da produção de saliva, maior risco de cáries, maior frequência de infecções de garganta e problemas na fala.

Exemplo de um problema de oclusão dental: mordida aberta em criança, que pode ser causada por sucção em mamadeiras e chupetas por tempo prolongado. Fonte da imagem: arquivo próprio.
Atualmente existem muitos profissionais de saúde capacitados para ajudar as mamães a conseguirem amamentar seus bebês, e que podem orientar sobre a melhor forma de alimentar o bebê quando o aleitamento materno não é possível. Procure ajuda profissional sempre que for necessário!
Patricia Bolzan Agnelli
Cirurgiã-dentista, especialista em Gestão em Saúde Pública, especialista em Odontologia Hospitalar, especialista em Biotecnologia.
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